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Como montar ficha de treino: guia para Personal
Equipe Treino Pago · publicado em
Conteúdo aguardando a revisão de um profissional de Educação Física.
Pra montar uma boa ficha de treino, comece pelo objetivo e pela rotina de quem você atende, escolha a divisão que cabe nos dias disponíveis, defina o volume por grupo muscular, organize a ordem dos exercícios e deixe clara a regra de progressão. Depois, revise com base no que foi realmente cumprido.
Parece óbvio, mas muita ficha nasce de um modelo copiado e nunca mais é revista. Este guia organiza o processo em etapas, do primeiro contato à revisão, pra você montar fichas que fazem sentido pra cada pessoa e que dá pra acompanhar.
1. Comece pela avaliação, não pelos exercícios
Antes de escolher qualquer exercício, você precisa saber com quem está lidando. A ficha é a resposta; a avaliação é a pergunta.
Levante pelo menos:
- Objetivo principal e prazo que a pessoa imagina
- Experiência com treino e o que já fez antes
- Lesões, dores, cirurgias e restrições médicas
- Dias e horários disponíveis, e quanto tempo dura cada sessão
- Onde vai treinar e quais equipamentos tem
- Sono, trabalho, estresse e nível de atividade no dia a dia
Uma anamnese bem feita evita prescrever agachamento profundo pra quem tem dor no joelho sem investigar antes. Se quiser um roteiro, veja o guia anamnese: o que perguntar. A avaliação física complementa com medidas, composição corporal e testes, e serve de linha de base pra comparar depois.
2. Defina um objetivo que dê pra medir
"Ficar em forma" não orienta a ficha. Transforme o desejo em algo observável:
- Hipertrofia: aumentar cargas nos exercícios principais e perímetros específicos
- Emagrecimento: reduzir cintura e percentual de gordura, mantendo a força
- Força: subir o 1RM estimado em exercícios-chave
- Saúde e funcionalidade: fazer as atividades do dia a dia com menos esforço e menos dor
- Condicionamento: melhorar desempenho em teste de campo ou no cardio
Um objetivo mensurável facilita a revisão e ajuda quem você atende a perceber o progresso.
3. Escolha a divisão do treino
A divisão depende principalmente de quantos dias a pessoa consegue treinar de verdade, não de quantos ela gostaria.
- 2 a 3 dias: corpo inteiro em todas as sessões tende a render mais
- 3 dias: corpo inteiro ou ABC
- 4 dias: superior e inferior (AB duas vezes) ou ABCD
- 5 a 6 dias: ABC duas vezes, ABCDE ou empurrar, puxar e pernas
Pra iniciantes, divisões mais simples e com maior frequência por grupo costumam funcionar melhor, porque repetem o padrão de movimento mais vezes. O guia treino ABC para iniciantes mostra um exemplo que você pode indicar pra quem está começando.
4. Defina o volume
Volume é o total de séries por grupo muscular na semana. É uma das variáveis que mais influenciam o resultado, e também uma das mais fáceis de exagerar.
Pontos de partida práticos:
- Iniciantes: volume moderado, com poucas séries por grupo na semana, priorizando técnica
- Intermediários: volume um pouco maior, distribuído em duas sessões por grupo
- Avançados: volume ajustado individualmente, com variação ao longo dos ciclos
Mais volume só ajuda se a pessoa consegue se recuperar. Comece no menor volume que gera progresso e aumente aos poucos, observando cansaço, dores e desempenho. Considere também o que acontece fora da academia: quem trabalha em pé o dia inteiro ou dorme pouco recupera de outro jeito.
5. Escolha os exercícios
Monte cada sessão em torno de poucos exercícios principais, multiarticulares, e complete com acessórios.
- Principais: agachamento, leg press, supino, remadas, puxadas, stiff, desenvolvimento
- Acessórios: cadeira extensora, mesa flexora, elevação lateral, roscas, tríceps
- Core e estabilidade: prancha e variações, exercícios anti-rotação
Na escolha, considere técnica atual, restrições, equipamento disponível e preferência. Um exercício que a pessoa detesta raramente é feito com qualidade. Pra quem ainda está aprendendo a execução, vale indicar referências como o passo a passo do stiff.
6. Organize a ordem
A ordem muda o desempenho. Uma regra que funciona na maioria dos casos:
- Aquecimento geral e específico
- Exercícios multiarticulares e mais técnicos primeiro, com a pessoa descansada
- Exercícios acessórios e isolados depois
- Core e trabalho de estabilidade no fim, pra não cansar a musculatura que protege a coluna antes dos exercícios pesados
- Cardio depois da musculação, quando o foco principal é força ou hipertrofia
Métodos como bi-set e circuito economizam tempo, mas aumentam a fadiga. Use com intenção, não por padrão.
7. Prescreva séries, repetições, descanso e esforço
Cada exercício precisa de quatro informações claras:
- Séries: quantas
- Repetições: uma faixa, como 8 a 12, em vez de um número fixo
- Descanso: em segundos
- Esforço: RIR (repetições na reserva) ou PSE
Prescrever o esforço evita que a pessoa faça a série muito leve ou vá à falha em tudo. Pra quem está começando, RIR 2 a 3 é um alvo seguro. Pra quem é mais experiente, RIR 0 a 2 em parte das séries. Se você trabalha com porcentagem do 1RM, a calculadora de 1RM estima a carga máxima a partir de uma série submáxima, sem precisar de teste máximo.
8. Deixe a progressão explícita
Ficha sem regra de progressão vira rotina. Escreva na própria ficha quando aumentar a carga. Exemplos:
- Progressão dupla: quando completar todas as séries no topo da faixa de repetições, aumente a carga
- Progressão por RIR: se a série terminou mais fácil que o RIR prescrito, suba a carga na próxima sessão
- Progressão de volume: acrescente uma série a cada algumas semanas, dentro do que a recuperação permite
Combine também o que fazer quando algo dá errado: dor articular, semana cheia, viagem. Uma orientação simples ("se doer, reduza a amplitude e me avise") evita abandono.
9. Revise com base no que foi cumprido
A ficha é uma hipótese. A revisão mostra se ela funcionou. Pra revisar bem, você precisa saber o que a pessoa realmente fez: quantas sessões cumpriu, que cargas usou, onde travou.
Uma rotina comum é revisar a cada 4 a 8 semanas, ou antes se houver dor, estagnação ou mudança de rotina. Na revisão:
- Compare cargas e repetições dos exercícios principais
- Confira a frequência real de treino
- Reavalie medidas e fotos, quando fizer parte do objetivo
- Pergunte como a pessoa está se sentindo, dormindo e se recuperando
- Ajuste uma ou duas variáveis por vez, pra saber o que fez diferença
Cuidados que valem pra toda ficha
- Respeite as restrições médicas e encaminhe ao médico quando houver sinal de risco
- Não prescreva dieta se essa não for sua área de atuação; indique um nutricionista
- Explique o porquê de cada exercício; quem entende a ficha segue melhor
- Evite trocar a ficha toda com frequência; consistência gera dado pra decidir
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